Sexta-feira, 21 de Outubro de 2005

Luta contra a Pobreza

A degradação galopante das condições de vida, das populações de países como S.Tomé e Príncipe, deverá estar intimamente relacionada com a má governação, incompetência, corrupção, políticas ineficazes e repetitivas de combate à pobreza, e sobretudo, a subvalorização da Educação. Atrever-me-ia mesmo a questionar se, não haverá interesses instalados (de natureza pessoal, institucional, local, externa, etc.) que habilidosamente lucram com a exploração da pobreza alheia. Só assim, se pode compreender ou aceitar, a multiplicação periódica de planos, programas, projectos, mesas redondas, etc., cujo objectivo é a angariação de fundos de combate à pobreza, que, tendencialmente aumenta, em contraste com a frequência de tais expedientes. O país neste momento, antes de preparar os instrumentos que lhe permitiriam a realização de uma mesa redonda de doadores em Bruxelas, com o objectivo de angariar fundos adicionais, para a implementação do Programa de Acções, da estratégia Nacional de Redução da Pobreza, com a finalidade de reduzir para metade, até 2010, a percentagem da população que vive em situação de pobreza, deveria, antecipada e responsavelmente, avaliar o destino, grau de cumprimento dos objectivos, impacto, consequências, mudanças produzidas na população alvo, e, quantidade de recursos postos à disposição de programas ou projectos anteriores, de combate à pobreza no país. Momentaneamente, não basta partir do diagnóstico existente, (15,1% da população vive em condições de pobreza extrema e 1 em cada 2 Sãotomenses, vive abaixo do limiar da pobreza) pois, é uma forma ou expediente generoso de: desresponsabilizar; repetir receitas desastrosas para os mesmos problemas e premiar os incompetentes e corruptos. Está na altura do país, sem hesitações, aniquilar o ciclo de estímulos ou prémios aos incompetentes e corruptos. Além do mais, tenho algumas dificuldades em compreender a forma leviana, manipuladora e irresponsável, como se lida com a “estatística” no país, transformando-a num expediente político para arrecadar fundos oportunisticamente. Neste caso concreto, acredito que os “indicadores da pobreza” estejam correctos. Basta conhecer profundamente o país, para se constatar isto mesmo. Mas, por que razão, só agora, estes indicadores aparecem, transformados em “indicadores políticos de pobreza” com objectivo de angariação de fundos para o seu combate? A pobreza apareceu de repente? Como foi feita a sua evolução ao longo dos anos? Existem dados estatísticos sobre esta evolução? Se existem, por que razão, os indicadores feitos por organizações internacionais sobre desenvolvimento Humano e de outra natureza, não reflectem esta evolução? O que é que foi feito pelos sucessivos governos para estancar esta evolução? O que é que falhou nas sucessivas estratégias de desenvolvimento para o país, que, permitiu que atingíssemos a situação actual? Parece-me ser a altura ideal de parar e deixar de procurar nos outros, as culpas para as nossas próprias irresponsabilidades, insuficiências e incompetência, num passeio verborreico anacrónico, que, já não convence nem mobiliza ninguém. Sucessivamente, transformamos as ajudas ao desenvolvimento e de combate à pobreza, num novo problema para o país. O caso GGA é um exemplo paradigmático. É neste contexto, que, entendo, respeito e concordo com a opinião do economista queniano James Shikwati que, declarou em entrevista à revista “Veja” que, “A ajuda (humanitária) atrapalha”. Segundo o mesmo, na década de 80 ”a África subsariana recebeu 83 mil milhões de dólares em auxílio. No mesmo período, o padrão de vida na região caiu 1,2% ao ano.” De acordo com o economista em causa, um dos problemas, entre muitos, que se colocam, é a necessidade de se parar com estas doações, na medida que, alguns ditadores africanos usam as doações em causa para a compra de votos. Toda a gente sabe que este é um dos nossos cancros que, necessariamente dificultará o aprofundamento da democracia no país, e, criou as condições objectivas e subjectivas, para o processo de “compra de poder,” (desde a base até ao topo) como coisa que, este fosse uma mercadoria ou negócio. É nestas condições que se quer teimosamente fazer um REFERENDO sobre o Sistema de Governo no país, conhecendo-se antecipadamente o desfecho do mesmo, tendo em conta a realidade supra referida. Vai-se perdendo tempo e energia com banalidades e acessório, em detrimento do substantivo e essencial. E, no entanto, é a vida de dezenas de milhares de pessoas (nalguns casos com necessidades elementares) que está em causa. Provavelmente, chegou o momento para se repensar as políticas, modelo de cooperação e ajuda, bem como, as condições contratuais estabelecidas entre os países da África (S.Tomé e Príncipe não foge a regra) da União Europeia e outros parceiros internacionais. Tudo não pode ser reduzido aos contornos da perspectiva financeira, sobretudo quando os proventos resultantes deste modelo contratual, são praticamente nulos, e, ainda por cima, contribuem para dizimar de forma irreversível os recursos naturais dos países pobres. O caso dos acordos de pesca assinados entre S.Tomé e Príncipe e a União Europeia, constitui um bom exemplo. Não se conhece nada de concreto ou palpável que o país ganhou com os acordos em causa, ao nível do melhoramento das condições de pesca artesanal para os nossos pescadores; da investigação e conhecimento científico inerente ao sector; das perspectivas de transformação, conservação e comercialização do pescado; etc.. Nada! Nada! No entanto, existem algumas pessoas que “engordaram” com os contratos em causa. Sei que neste momento, o que menos interessaria a Europa, era a liberalização do seu mercado agrícola, medida que, colocaria em causa a política agrícola comum. Mas, não seria desejável equacionar a hipótese de estabelecimento de um modelo cooperativo, (sobretudo para países pequenos como S.Tomé e Príncipe) com a União Europeia, que, permitisse, entre outras vantagens, a exportação de alguns produtos agrícolas para os países da Europa individualmente, no âmbito dos contratos de pesca que estes estabelecem com aqueles países? Esta modalidade teria pelo menos a vantagem de melhorar a vida da generalidade das populações do meio rural e minimizar o impacto da corrupção.


publicado por adelino às 23:08
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Janeiro 2011

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.posts recentes

. A Morte de Chico Paleio

. Bons e Maus Chefes de Coz...

. A Ilusão do Poder de Sãm ...

. O Festim Carnicento dos “...

. O Presunto dos Bufados

. Branco mas Pouco Transpar...

. O Curandeiro, o Médico e ...

. Um Príncipe Quase-Perfeit...

. Mexer no Sistema para Mud...

. Os Aprendizes de Feiticei...

.arquivos

. Janeiro 2011

. Setembro 2010

. Fevereiro 2010

. Agosto 2009

. Maio 2009

. Março 2009

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Janeiro 2008

. Setembro 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Julho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Janeiro 2005

.links

blogs SAPO

.subscrever feeds