Domingo, 30 de Outubro de 2005

Terrenos do Presidente

Ciclicamente, e, em momentos críticos da conjuntura política milimetricamente escolhidos, multiplicam-se acusações entre políticos, relativamente à usurpação de terrenos do Estado para fins pessoais ou privados. Mesmo desprezando a pequenez intelectual, moral e política deste modus faciendi, parece-me importante responsabilizar as pessoas pelos seus actos, por aquilo que fazem e por aquilo que dizem. Já não é a primeira vez que, entre políticos, se lançam acusações mútuas deste género. Uma acusação deste calibre dirigida ao mais alto representante do Estado, não pode ter como consequência a indiferença, o silêncio ou o menosprezo. Para além dos efeitos internos nocivos, ao nível da consolidação do nosso processo democrático, fragiliza a imagem externa do país já empobrecida pela sucessão deprimente de escândalos, golpes de Estado, miséria, incompetência e trapalhadas. O Senhor Presidente da República apoderou indevidamente de terrenos do Estado na zona da praia das conchas ou não? Por que razão, os órgãos competentes do Estado, não abrem um inquérito de averiguações exaustivo, que, possa contribuir para explicar definitivamente ao povo a dimensão e/ou contornos do problema, e consequentemente, terminar com as especulações em redor do mesmo, minimizando assim as possibilidades da sua utilização como arma de arremesso político? Por que razão, o Senhor Presidente da República, moribundo politicamente, resultante do desgaste interno e externo que acusações deste calibre provocam, e, de outras diatribes semelhantes, não toma a decisão pessoal, de, exigir que se abra um inquérito que possa explicar ao povo, todas os passos, comportamentos, diligências processuais, contactos e expedientes legais que foram dados no sentido de apoderar do terreno em causa, contribuindo com tal para minimizar os estragos na sua imagem e credibilidade, e consequentemente, na do próprio país? Como a mulher de César, não basta ser séria, é preciso parecer…
O populismo na sua forma iletrada e inconsequente, que alimenta a ignorância e não abdica dos “banhos de multidão” e “compra de votos” como instrumentos de sobrevivência política, são os grandes responsáveis pela persistência desta forma de fazer política. O desinteresse cívico e o stato quo prevalecentes, são consequências deste entretenimento colectivo. Mas não é isto mesmo que todos queremos????


publicado por adelino às 22:36
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