Terça-feira, 1 de Novembro de 2005

A Cólera do Povo

O país está entupido de problemas. Agora é a CÓLERA que resolveu matar as pessoas. Coitada da CÓLERA! Ela não resolveu matar nada; as pessoas, é que, criaram as condições objectivas para que o bacilo da cólera irritasse com as mesmas. É sempre assim infelizmente… Continuamos a criar as condições favoráveis para que a desgraça, mais tarde ou mais cedo, nos intraquilize. É assim na Educação, na Saúde, na política, nas Instituições, nos Serviços, etc. O mérito é nosso. Estamos a formar momentaneamente milhares de “aberrações” para depois descobrirmos no futuro, que, a culpa é da independência, da democracia ou se calhar da própria globalização. Todos os anos enviámos centenas de estudantes para o exterior, para o prosseguimento dos estudos, e, só posteriormente, descobrimos que falta nos cofres do Estado dinheiro para manutenção deste privilégio, condenando os nossos jovens ao infortúnio, fome e desespero fora de casa. Fizemos o impossível para arruinar aquilo que poderia vir a ser no futuro, em colaboração com parceiros internacionais, os alicerces de um eventual Sistema Nacional de Saúde. Preferimos a solução mais cara e menos digna: enviar doentes num sistema de quotas, para tratamento no exterior do país. Só que, como em tudo, os pobres é que continuam a morrer no interior do país, com cólera, úlceras e patologias afins; enquanto os ricos tratam de enxaquecas nos melhores hospitais do mundo.
A memória dos mais influentes políticos tem apenas um elemento: manual de sobrevivência política. Nele existe milimetricamente organizado: uma agenda com contactos locais e internacionais imprescindíveis; tempo livre e suficiente para inventarem reuniões e dinheiro farto para campanhas eleitorais e um bom jeep para “roncarem”. Ninguém sabe o que pensam, não têm competência específica nem treino para nada, não lêem, não escrevem nem opinam sobre nada. Num país, onde nunca houve uma formação, de acordo com os valores e princípios democráticos, isto é fatal, porque, as novas gerações crescem num contexto de aprendizagem e interiorização destas regras e comportamentos. Por isso, desde o berço, aprendem e estimulam o aperfeiçoamento da noção do “carneirismo” e harmonização de esquemas do género “eu apoio-te agora; tu apoias-me amanhã”. A única coisa que lhes interessa é o PODER. Não interessa o que farão mais tarde com ele, senão, a garantia de alimentação desta teia estéril. Por isso, é que, faltando pouco tempo para as próximas eleições legislativas no país, só se fala de: coligações, terrenos do Presidente, vencimento do fulano X, jeep do fulano y e outras menoridades. Tudo se encaminha para que tenhamos uma campanha eleitoral farta em dinheiro e pobre em programas e ideias para o desenvolvimento do país. Nestas alturas, a CÓLERA do povo emigra para outras paragens. Mas não é isto mesmo que todos queremos????


publicado por adelino às 18:46
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