Segunda-feira, 24 de Abril de 2006

Onde está o César?

 

 

É surpreendente, embora apraz-me registar positivamente, a onda inquisitorial relativamente aos preparativos políticos para a formação do novo governo em S.Tomé e Príncipe, a organização política, técnica e funcional do mesmo, bem como, o tom, substância e forma discursiva e, o papel do Fradique Menezes em torno do referido tema. Como em tudo, nós os Sãotomenses, temos a tendência suicidária de ir esquecendo com uma velocidade estonteante, o passado recente que contribuiu para que as coisas, no presente, tivessem as consequências ou efeitos que têm. O que é que as pessoas esperariam relativamente ao modus faciendi utilizado para a formação, orgânica, funcionalidade e constituição do actual governo se todos vimos os contornos ou forma como decorreu o processo eleitoral no país? O que é que as pessoas esperariam dos resultados e do processo eleitoral, em si mesmo, se todos conhecemos as vulnerabilidades (funcional e organizacional) dos nossos partidos políticos? O que é que as pessoas poderiam esperar dos partidos políticos, genericamente falando, se a “democracia “ e o processo eleitoral está reduzido ao mercantilismo puro e duro? O que é que as pessoas poderiam esperar da democracia se houve a tentação deliberada, desde o início, para matar toda a iniciativa que contribuísse para a melhoria do nosso sistema educativo? Surpreende-me, pois, que, na campanha eleitoral, não se tendo falado nem discutido nada destas coisas, que têm um peso estrutural significativo nas decisões tomadas no presente relacionadas com este governo, em detrimento do “Banho”, se tente subestimar as mesmas preocupando-se com o folclore pontual das referidas consequências desencadeadas no presente. Tendo-se gasto milhares de dólares (há quem fale em 7 milhões de dólares) no fenómeno do “Banho”, durante a campanha eleitoral, alguém esperaria, por exemplo, que o Senhor Óscar de Sousa, ministro da Defesa, encorajado pelo Senhor Presidente da República provavelmente, não tomasse a atitude que tomou relativamente ao Tribunal Constitucional e sua Presidente? Isto ainda é o documentário. O filme ainda está para chegar com todas as consequências que vai acarretar para a nossa sociedade em geral. Alguém esperaria que, depois de terem gasto tanto dinheiro com o fenómeno “Banho”, na campanha, estes Senhores iriam entregar o ouro ao bandido tendo a preocupação de colocar gente impoluta e competente no actual governo? Para fazer o quê se a principal e imediata função desta gente é oferecer contrapartidas aos senhores de alguns países estrangeiros, bem identificados, responsáveis pela origem destes fundos? Estariam preocupados com a competência e boa governação se fosse esta a principal função da política em S.Tomé e Príncipe. De facto uma das funções (ou a principal função) da política é a produção e distribuição dos bens colectivos necessários ao desenvolvimento de uma sociedade. Toda a gente sabe que, para que tal aconteça, é necessário tomar uma série de decisões num contexto limitado de tempo, com escassez de dados, informação e recursos. Ora, isto exigiria a preocupação fundamental com o recrutamento das pessoas para o governo que tivessem capacidades extraordinárias para tomar decisões colectivas num contexto de elevada complexidade social em que vivemos. Mas, se não é esta a preocupação dos nossos políticos e actuais governantes, por que razão as pessoas esperariam delas competência, inovação e capacidade de enfrentar e resolver os nossos problemas, ou mesmo, a preocupação com o objectivo de formar uma base forte de sustentação do governo na Assembleia Nacional? Os últimos episódios que aconteceram no país são reveladores da obstinação, do instinto narcísico, rumo ao propósito de criarem as condições objectivas para oferecerem um César ao país. Mas não é isto mesmo que todos queremos?????

 

 

publicado por adelino às 22:28
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