Domingo, 2 de Abril de 2006

O Banho dos Políticos

De facto, esta realidade já cristalizou no nosso sistema "democrático", ganhando contornos  preocupantes. No entanto, o que parece difícil de entender é a impotência das autoridades nacionais perante o problema. Todos andaram a assobiar para o lado, e agora o problema ganhou contornos de autêntica "CORRUPÇÃO" no sentido lato do termo. Não é menos do que isso! O "BANHO" é definitivamente sinónimo de CORRUPÇÃO generalizada, no sentido mais amplo do termo. Não creio que, fosse difícil para as autoridades, desenvolver um trabalho apurado de investigação criminal, (com agentes infiltrados eventualmente) em todos os domínios, com  objectivos de natureza pedagógica, preventiva e de apresentação e divulgação de provas, cumprindo assim a sua missão num contexto democrático.

O que me preocupa relativamente ao "BANHO" nem sequer é saber se o partido A ganhou e o partido B perdeu, e ambos utilizaram o "BANHO". Ou ainda, se existe um comprador, um vendedor e um mercado que suportam tais actos, e como tal, estão criadas as condições para a sua legitimação como alguns já apregoam. Eu não dou tostão nenhum para este peditório como alguns já começaram a fazer, porque o meu conceito de democracia é outro. O que me preocupa são as consequências decorrentes deste acto para a sedimentação da nossa democracia. Eu sei que os modelos democráticos têm de se adaptar às diferentes realidades culturais e, nem sequer é disto que se trata. Existe no entanto, princípios fundamentais que têm de ser respeitados num regime democrático, em qualquer latitude: o primado da lei, a legitimidade do voto, a renovação periódica dos mandatos através de eleições livres, a legitimidade do exercício do poder, etc. Ora, o "BANHO" não favorece nenhuma destas condições, e, como tal, parece-me legítimo questionar até que ponto, nós estamos a contribuir com  estas acções e omissões, para a construção e solidificação da nossa democracia interna. É provável que, o descontentamento popular em determinadas zonas do país, manifestadas através de boicotes, seja um sinal precoce daquilo que estará por chegar num contexto temporal não muito distante, resultante destas acções de "BANHOS". Além disso, qual é a legitimidade de um governo (qualquer que ele fosse) decorrente de um processo eleitoral em que o "BANHO" desempenhou um papel importante?? E os níveis galopantes de abstenção (de eleição para eleição no país) não traduzirão um sintoma de fragilidade da nossa democracia resultante do fenómeno "BANHO"??? São estas as minhas maiores preocupações momentaneamente, independentemente de saber se ganhou o partido A, B ou C, resultante deste crime. Não basta haver eleições periódicas no país e/ou órgãos de aparência democrática, para interiorizarmos e vendermos  a ideia aos outros, de que vivemos num contexto democrático, fazendo gala disso. Torna-se indispensável haver uma orientação para a dignidade humana, para a justiça e para o respeito da autonomia individual. Espero sinceramente que: as queixas apresentadas por diversos partidos políticos decorrentes deste acto; relatos de impressa estrangeira e nacional sobre o fenómeno "BANHO" no país; afirmações de muitos políticos nacionais relacionadas com o tema em causa e investigações ulteriores relacionadas com o mesmo,  possam servir para caucionar uma atitude de força do TRIBUNAL CONSTITUCIONAL com objectivo de acabar ou minimizar a amplitude do referido  problema na nossa Terra. É a própria imagem do país que está completamente degradada resultante desta porcaria e as consequências no futuro serão desastrosas. Espero que tudo isto sirva para que, os nossos políticos sejam obrigados a tomar os seus “BANHOS”, de preferência, em água com muita lixívia.

A.C  

 

publicado por adelino às 15:17
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