Sexta-feira, 24 de Março de 2006

Caça aos Votos

Notícia do Expresso – 15 de Março de 2006

Portugal e outros países suspeitos de financiar partidos

Compra de votos marca Campanha Eleitoral

 

«…O “Banho”, ou seja, a “caça aos votos” mediante pagamento em dinheiro, está a dominar a campanha para as eleições legislativas de 26 de Março em São Tomé e Príncipe. Dada a inexistência de uma lei que regule o financiamento e controle dos gastos dos partidos, os investidores externos, os chamados países “amigos” dos políticos São Tomenses – Nigéria, Taiwan, Angola e Portugal – são suspeitos de injectarem milhões de dólares nas candidaturas dos vários partidos em confronto.

Dez forças políticas concorrem as legislativas e procuram seduzir os 76842 eleitores inscritos. Os partidos que mais beneficiam da “compra de votos” são o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP – PSD), o Movimento Democrático Forças da Mudança (MDFM) que apoia o Presidente Fradique de Menezes, e a Acção Democrática Independente (ADI). Todos os outros, com menos recursos financeiros, ficam à partida a perder na “caça aos votos”.

O fenómeno – que passou a fazer parte do cenário político desde as legislativas de 1998 e 2001 – está tão enraizado, que grande parte do eleitorado exige prendas em dinheiro ou bens para ir votar. A situação chegou a um ponto, que já não se percebe bem se são partidos que se aproveitam dos eleitores ou, pelo contrário, se são os eleitores que exercem chantagem sobre os candidatos…»

Fonte – Jornal Expresso

 

 

E assim vamos construindo um país, deixando este legado aos jovens e crianças de hoje, que, terão a vida mais complicada no futuro, se, quiserem de facto, fazer política e ajudar a aprofundar a democracia na nossa Terra. Estas crianças e jovens, terão todos os motivos do mundo, para sentirem vergonha desta “gente” que se vangloria e passeia nos púlpitos improvisados, a arrogância e o utilitarismo das suas acções políticas para o nosso bem-estar colectivo. Esquecem-se no entanto, que, a política é uma acção, ou seja, tem necessariamente resultados e efeitos, e também é uma relação, desenvolvendo-se num contexto onde nenhum decisor é solitário e independente dos outros. Estão totalmente convencidos que estão a fazer política. Mais tarde ou mais cedo, esta prática que começa a cristalizar na nossa Terra, acabará por encontrar o obstáculo das realidades sociais e materiais que determinarão o seu fracasso. Quando tal acontecer esta “gente” já não estará cá. As crianças e jovens de hoje não terão orgulho nenhum dos caprichos e práticas desta “gentalha”. Reparem naquilo que disse o Patrice Trovoada recentemente, relativamente aos efeitos do “Banho”: «…os partidos foram apanhados no seu próprio jogo…» Acrescentou posteriormente: «…hoje estamos a pagar por isso, porque as pessoas estão a exigir, a manipular os partidos…»

Isto ainda é o ensaio da tempestade que está para chegar. Não basta o Patrice Trovoada e outros dirigentes políticos nacionais fazerem o mea culpa envergonhado, transferido com tal, a responsabilidade das suas acções e trapalhadas para o próprio povo. Se o papel dos partidos políticos é essencial num regime democrático, o reconhecimento da sua responsabilidade activa ou reactiva, em todos os factos políticos nacionais, também não deverá ser minimizado. Todos os partidos políticos devem ser responsabilizados por esta prática que, terá efeitos nocivos no aprofundamento da nossa democracia. Acho que este tema do “Banho” deveria por isso, ser momentaneamente, (aproveitando o acto eleitoral) objecto central das preocupações, discussão e apresentação de propostas, por parte de todos os partidos políticos nacionais, para a sua erradicação. Não! Os partidos decidiram continuar ou amplificar a referida prática, no acto eleitoral em causa. 

Por tudo isto, é de elogiar e enaltecer o comportamento de todas as forças políticas minoritárias, designadamente o “MOVIMENTO NOVO RUMO”, “GERAÇÃO ESPERANÇA” e outras, que, se esforçam numa campanha pedagógica e de sensibilização sem precedentes (porta a porta; freguesia a freguesia; roça a roça) para minimizar os estragos que esta “gente” tem feito ao país. É um trabalho muito esforçado e paciente!

 

A.C

publicado por adelino às 13:23
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