Quinta-feira, 23 de Março de 2006

A Semente

 

 

 Há algo de novo, potencialmente vital para a nossa democracia, nestes primeiros dias da campanha eleitoral no país. Outrora, a participação (entendida e interiorizada como sinónimo de “banho”) indiciava perigo de instrumentalização, comportando ambiguidades e ambivalências, não trazendo nada de relevante em termos de proveito para a colectividade nacional. As consequências visíveis foram: a instalação na nossa sociedade do conformismo, comodismo e uma incompreensível inércia, que, comprometeu a reflexão desejável e constante que, devia existir, sobre as relações entre a nossa segurança e a liberdade, bem como, o Estado e a sociedade civil. Esta perversão dos princípios elementares de democracia trouxe um pagamento de preços elevados que todos tivemos que pagar.

A primeira prestação está bem vincada na sucessão e intensidade de crises políticas, que, foram sucedendo no país, minando as relações entre os principais actores institucionais.

A segunda prestação, está patente na generalização da impunidade, que, actua como seguro de sobrevivência para os desmandos e atropelos praticados por aqueles, que, em princípio, deviam ter funções de representação e de expressão na nossa sociedade (os próprios partidos políticos). Passaram a pensar, agir e decidir, desprezando a legalidade e respeito pelos próprios e pelos outros.

A terceira prestação do preço a pagar, relativamente à perversão dos princípios elementares da democracia na nossa sociedade é a consequência das duas prestações anteriores: a multiplicação de golpes de Estado e insurreições militares no país.

É óbvio que, num cenário com estas características, o aparecimento de um MOVIMENTO, aparentemente com ímpeto reformador, com atitudes e práticas diferenciadoras do stato quo, só pode merecer um juízo favorável e encorajador, contribuindo assim, para dar um RUMO mais favorável e NOVO ao desenvolvimento do país. Por isso, acho pertinente e desejável, a atitude pedagógica e persistente, junto do povo (nas roças, nos bairros, nas freguesias, etc.) levada a cabo por alguns potenciais eleitos daquele NOVO movimento político, com o objectivo de reanimar a confiança da sociedade civil, nas instituições político-partidárias do país. Parece-me ser um trabalho extremamente difícil e potencialmente desanimador, mas, não me ocorre outra fórmula, para o restabelecimento da confiança e credibilidade junto do povo, depois dos efeitos sociais significativos, decorrentes da instabilidade ou ruptura funcional da generalidade dos nossos partidos políticos clássicos. As vantagens deste modus operandi, (roubei-te a palavra Cency) poderão não ser imediatas, mas, ficará a semente, que, germinará de certeza absoluta.

A.C

 

publicado por adelino às 20:22
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