Terça-feira, 31 de Maio de 2005

Poema para Protásio Pina

TROPICB.jpg
Autor da foto: Jonathan Baillie

Dois poemas para Protásio Pina
(na morte do pintor e muralista)

Mural

Todo o arquipélago é um deserto
surdo sem olhos
crivado de frio e dedos mortos
As árvores e os frutos
fugiram para o Sul
num galope de remorso
abraçados ao vento.
Seguiram-se as borboletas
loucas esguedelhadas
papagaios multicolores, alucinados
um falcão real envolto em lianas.
Arqueja luto o coração do mar
relampeja verde o coração do mar
e uma andorinha tresluz decepada
na esquina breve do teu rosto


Conceição Deus Lima – O Útero da Casa – Caminho
publicado por adelino às 21:41
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Domingo, 29 de Maio de 2005

Teoria da Relatividade e o Príncipe

Notícia extraída do jornal PÚBLICO



Faz hoje 86 anos que um eclipse total do Sol foi observado por duas expedições britânicas, uma a ilha do PRÍNCIPE e outra à cidade de SOBRAL, no Norte do Brasil. Observar esse eclipse confirmou que a teoria da relatividade geral, de Albert Einstein, está certa, ao prever como a luz de outras estrelas é encurvada pelo campo gravítico do Sol.




Três semanas na Madeira, antes da roça Sundy




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<p align="center"><font size="3"><font color="#000000">Notícia extraída do jornal PÚBLICO</font></p>

<p align="justify"><font size="2">Faz hoje 86 anos que um eclipse total do Sol foi observado por duas expedições britânicas, uma a ilha do PRÍNCIPE e outra à cidade de SOBRAL, no Norte do Brasil. Observar esse eclipse confirmou que a teoria da relatividade geral, de Albert Einstein, está certa, ao prever como a luz de outras estrelas é encurvada pelo campo gravítico do Sol.</font></p>


<p align="center"><font size="3"><font color="#000000">Três semanas na Madeira, antes da roça Sundy</font></p>


<p align="justify"><font size"2">Eddington passou um dia em Lisboa, quando o navio que o trouxe de Inglaterra fez escala antes de o levar para a Madeira, onde três semanas depois o vapor Portugal o apanhou para o PRÍNCIPE. Em Lisboa, visitou o observatório. No PRÍNCIPE, instalaram o equipamento na roça SUNDY. O tempo não ajudou no dia do eclipse, por isso, das dezasseis chapas tiradas só duas se aproveitaram e deixavam ver a luz de um total de cinco estelas atrás do Sol. Com as da expedição ao Brasil, permitiram concluir que Einsten tinha razão, num anúncio histórico a 6 de Novembro, em Londres: a luz é encurvada, o que prova que o espaço e o tempo não são absolutos, como postulava Newton. Pode ler-se no livro Eddington e Einsten (Gradiva) que, na comunicação a anunciar os resultados, o astrónomo Britânico agradece entusiasticamente ao Governo Brasileiro. Na parte Portuguesa, limita-se a agradecer às pessoas no Príncipe. Porquê esta diferença de tratamento? Não se sabe.</font></p>
Público - 29 de Maio de 2004


<p align="justify"><font color="#0000FF"><font size="3">Agora que se fala muito do desenvolvimento de turismo, não percebo a razão porque não se transforma esta coincidência histórica em potencialidade. Com alguma vontade política e imaginação, este registo histórico poderia transformar-se em valor acrescentado ao desenvolvimento do país. Com algum investimento, poderia instalar-se ai na Sundy, um pequeno observatório, ligeiramente equipado, e, criar paralelamente, estruturas que permitissem o desenvolvimento do turismo, das artes, e alguns registos científicos e culturais ligados aos ciclos do açúcar, cacau e café nas ilhas, bem como um pequeno jardim botânico com registos de algumas espécies endémicas, etc. Haja imaginação e arrojo.</font></p>
publicado por adelino às 18:17
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Sexta-feira, 20 de Maio de 2005

Petroleiros Definitivos

Notícia extraída do Jornal PÚBLICO – 20.05.2005
Presidente da Nigéria em São Tomé para resolver crise do petróleo
ANA DIAS CORDEIRO

O Presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, estará hoje em São Tomé e Príncipe para um encontro com o chefe de Estado, Fradique de Menezes, sobre o dossier do petróleo, confirmou ao PÚBLICO o assessor de imprensa da Presidência São-Tomense, Adelino Lucas. Segundo a imprensa Nigeriana, os dois chefes de Estado estarão juntos para formalizar a atribuição de blocos petrolíferos, resultante do último leilão, e aprovada na última reunião de ministros dos dois países em Abril, em Abuja, na Nigéria.
As propostas, relativas à zona de exploração conjunta entre os dois países, ainda não tinham sido formalizadas, devido à polémica suscitada, em São Tomé, em torno do suposto favorecimento de algumas companhias.
Os dois partidos que sustentam a coligação governamental (MLSTP – PSD e ADI) foram quem mais ênfase deu a suspeitas de que certas empresas teriam sido favorecidas em detrimento de outras com melhores propostas. Essa posição já motivou críticas do embaixador da Nigéria em São Tomé, Saidu Findar, que acusou, esta quarta-feira, o Executivo São-Tomense de bloquear o processo.
No arquipélago, a crise interna arrasta-se há mais de duas semanas e resultou em demissões de personalidades São-Tomenses de cargos com influência nas negociações do petróleo: Arlindo Carvalho abandonou a posição de ministro dos Recursos Naturais, e Fradique de Menezes (apoiado pelo MDFM-PL) demitiu-se do cargo de presidente do Conselho Nacional de Petróleo, depois de ser alvo de graves acusações de membros do partido do Governo.
Além disso, o Presidente da República exonerou Patrice Trovoada de seu conselheiro especial para os assuntos do petróleo, e Mateus Meira Rita, do cargo de representante do chefe de Estado São-Tomense no Conselho Nacional de Petróleo, mantendo-o porém como director de gabinete da Presidência. Estas duas demissões prendem-se com interesses que ambos detêm em empresas a concurso, sendo um deles, Mateus Rita, muito próximo do chefe de Estado.
Apesar de ser sócio de uma delas, a ERHC, Mateus Rita participou ainda enquanto representante do chefe de Estado São-Tomense, na reunião de Abuja que originou actual crise e na qual a ERHC foi contemplada com garantias favoráveis de exploração. Mateus Rita é também dirigente do partido do Presidente, o MDFM-PL. A empresa de que é accionista, a ERHC, é maioritariamente detida pelo influente milionário Nigeriano, Sir Emeka Offor, de quem se diz ser próximo do actual vice-presidente Nigeriano, Atiku Abubakar, e de ter tido ligações ao regime do general Sani Abacha.
Já Patrice Trovoada (filho do ex-Presidente São-Tomense Miguel Trovoada) é secretário-Geral da ADI, um dos partidos que sustenta o Governo – que se incompatibilizou com o Presidente – além de ser próximo e colega de partido do ex-ministro dos Recursos Naturais, Arlindo Carvalho. De acordo com uma informação de um perito do sector energético, a que o PÚBLICO teve acesso, Patrice Trovoada terá tentado influenciar as negociações de Abuja, a favor da Equator Exploration, empresa onde terá interesses, além de manter uma ligação com o Presidente executivo desta companhia, o empresário Canadiano, de origem Ucraniana Wade Cherwayko.
Na semana passada, o Governo do MLSTP – PSD acusou o Chefe de Estado São-Tomense de “violar a lei sobre as receitas do petróleo” e de tirar “vantagens” da ”falta de transparência” nas negociações. O MDFM-PL, em defesa do Presidente, qualificou a “atitude” do partido no poder de “eleitoralista” e “oportunista”.



Petroleiros Definitivos



São grandes e eloquentes. Têm a função específica de resolver crises, sobretudo as grandes. São grandes como as crises que resolvem. São definitivos porque são grandes, extremamente grandes, e, têm uma apetência especial pela definição das coisas, sobretudo das coisas grandes. O mundo é pequeno para a quantidade de definições que carregam, de acordo com o tamanho de todas as crises que resolvem. Não hesitam perante as dúvidas, porque são grandes e definitivos, num mar que já começa a ser pequeno para tanta definição que carregam. Eles são os petroleiros definitivos e estamos condenados a obedecê-los porque são grandes.


publicado por adelino às 23:27
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Terça-feira, 17 de Maio de 2005

Corpo Moreno

bush_snake.jpg
Autor da foto: Bob Drewes


Corpo Moreno



Se eu dissesse que o teu corpo moreno
tem o ritmo da cobra preta deslizando
mentia.


Mentia se comparasse o teu rosto fruto
ao das estátuas adormecidas das velhas civilizações de África
de olhos rasgados em sonhos de luar
e boca em segredos de amor



Como a minha Ilha é o teu corpo mulato
tronco forte que dá
amorosamente ramos, folhas, flores e frutos
e há frutos na geografia do teu corpo.



Teu rosto de fruto
olhos oblíquos de safú
boca fresca de framboesa silvestre
és tu.



És tu minha Ilha e minha África
forte e desdenhosa dos que te falam à volta.




Franscico José Tenreiro – Extraído do livro: “A Suave Pátria” de Inocência Mata
publicado por adelino às 20:58
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Segunda-feira, 16 de Maio de 2005

Artes e debates em S.T.P

Notícia extraída do Jornal de Letras, Artes e Ideias (11 a 24 de Maio de 2005) - JL


Artes e debates em S.Tomé



Para além do seguimento dado pelo Centro Cultural Português/Instituto Camões (CCP/ICA) em S.Tomé ao ciclo itinerante de cinema infantil em Português, também a exibição de filmes históricos no âmbito da disciplina de História do Liceu Nacional teve continuidade no primeiro trimestre de 2005.
Março foi o mês em que ficaram conhecidos os vencedores do Concurso Literário subordinado ao tema Família, realizado em Janeiro e Fevereiro, e cujos prémios foram entregues no dia 23 de Abril. Pela mesma altura foi lançado o livro de prosas e poesias premiadas nos últimos concursos organizados pelo Centro de Língua Portuguesa.
No dia 25 de Fevereiro foi possível ver no CCP/ICA uma mostra dos materiais que São Tomé e Príncipe vai enviar à Exposição Mundial de 2005 em Aichi, no Japão, entre eles três painéis que retratam o quotidiano rural e piscatório das populações Santomenses.
A XII Feira do Livro Português teve lugar na Biblioteca Nacional de S.Tomé entre 18 e 21 de Março, com grande afluência de público e a participação do escritor Rui Zink, cujas obras disponíveis esgotaram no primeiro dia. A organização do evento esteve a cargo do CCP/ICA, do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, do Instituto Português de apoio ao desenvolvimento e da Direcção-Geral da Cultura de S.Tomé.
No que aos debates diz respeito, o CCP foi palco da conferência intitulada “As Novas Ameaças Internacionais após o 11 de Setembro", proferida no dia 2 de Fevereiro por João Marques de Almeida, director do Instituto de Defesa Nacional, e a Galeria Teia d`Arte recebeu mais um encontro sobre Multiculturalismo, no dia 17 de Fevereiro, no âmbito do projecto de Mesas Redondas sobre Língua Portuguesa.


publicado por adelino às 15:40
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Sábado, 14 de Maio de 2005

Complexo do buraco de Caranguejo

Crabb.jpg


Autor da foto: J.Baillie


Estaremos condenados a andar sistematicamente para trás como os caranguejos??




Não há decisão nenhuma que possa transformar a vida num museu, com conforto estético e organizativo, tudo previsto, arrumado e definitivamente acabado. Isto seria o desejável, embora fastidioso, sobretudo em sociedades como a nossa, entulhada de comportamentos ziguezagueantes e algum miserabilismo ao nível de comportamento e valores. Existirá sempre formas naturais de evolução das sociedades que comportam riscos e processos de mudança. A propósito disto, lembro-me de um acontecimento desconcertante que, marcou a minha infância enquanto um reguilas ecológico. Como forma de combater a praga de caranguejos lá no quintal da casa, tínhamos por hábito, introduzir indiscriminadamente nos buracos dos mesmos, água muito quente, enquanto os seres em causa permaneciam nos respectivos refúgios. No deve e haver contabilístico, inerente à táctica de combate à praga em causa, - semanal ou mensal – ficávamos sempre com a sensação de que o número de caranguejos no quintal e redondezas, não estava a diminuir. A minha avó, sempre ela, que tinha uns olhos maravilhosos para estas coisas, suportado por um empirismo ecológico inigualável, aproximou-se de nós, ingénuos miúdos, e fez-nos ver que, a quantidade, não era naquele caso, sinónimo de qualidade, ajudando-nos na tarefa de selecção rigorosa dos buracos, nos quais deveríamos introduzir água quente para melhor combatermos a praga dos caranguejos. Recordo vagamente da minha avó, durante a tarefa em causa, dissertar sobre: a “casa” e/ou disputas territoriais entre os referidos crustáceos; o tamanho, arquitectura e qualidade dos sedimentos que suportavam a diversidade dos buracos existentes; o tamanho dos bichos e a diferenciação anatómica entre os géneros da espécie em causa. Tudo isto tinha como objectivo, facilitar os mecanismos de selecção dos buracos dos caranguejos nos quais deveríamos introduzir água quente, com níveis ou resultados de rentabilidade, no controle da praga em causa. Desde aquela altura, entre nós, ingénuos miúdos, passou a existir um “complexo do buraco” para combater os caranguejos. A estratégia da minha avó resultou e conseguimos controlar a praga dos caranguejos lá no quintal. De facto, os “malditos” caranguejos desenvolveram anteriormente tanto, atingiram um número crítico, passaram a construir buracos que, eram autênticas galerias no subsolo, transformando os mesmos em fortalezas intransponíveis. Ou seja, sem que disso tivessem consciência, agiam segundo relações intra-específicas de defesa mútua, dotada de uma inteligência colectiva, adquirida em função da sua massa crítica. Era esta a receita e o sucesso destes crustáceos terrenos, perante miúdos reguilas e ingénuos. Agindo segundo instruções de uma inteligência colectiva, ainda que inconsciente, aqueles crustáceos só podiam vencer. No caso de S.Tomé e Príncipe, e, querendo estabelecer paralelismo com os caranguejos em causa, parece-me que, o nosso maior problema é a falta da chamada massa crítica suficiente que, nos permita resolver os problemas que enfrentámos diariamente, alguns dos quais, criados por nós próprios, por constrangimentos de organização social, política e institucional, decorrentes deste défice de massa crítica. O caso GGA é um exemplo flagrante desta constatação. Um povo que é pobre e enfrenta problemas socioeconómicos diversos, deram-no uma ajuda preciosa para minimizar este constrangimento, e nós, transformamos esta ajuda num novo problema para o país. Tem sido este, o problema do nosso atraso crónico. Caminhamos claramente para a autodestruição. É exactamente este, o termo e o tempo. Provavelmente, por isso mesmo, como testemunho de último fôlego enriquecedor do desastre agonizante que nos espera, brindaram-nos com o petróleo. Muito petróleo, segundo dizem. Não tendo massa crítica suficiente que nos permita agir segundo códigos e instruções de uma inteligência colectiva, maximizador das vantagens que o recurso em causa poderia trazer ao país, já começamos a transformar este petróleo também num problema, ou melhor, em muitos problemas. Só que, neste caso da temática petróleo, a interpenetração de interesses é maior e estes “nossos problemas” perdem a intimidade caseira e acabam por transformar também, em problemas dos outros. Ou seja, já começamos a contaminar os outros com os nossos problemas. Trata-se de um processo autofágico cíclico, que o petróleo veio aumentar. Passámos a vida a construir e destruir sucessivamente. Este ciclo de “construção-destruição” ficou irremediavelmente desequilibrado, com o aparecimento do petróleo, na medida que, amplificou o treino e motivação das pessoas para a arte de destruir, em detrimento da construção. Os últimos acontecimentos de guerrilha institucional no país, relacionados com a temática petróleo, parecem credibilizar o diagnóstico em causa. Estão criadas assim, as condições para as pessoas se matarem umas às outras, num contexto de miserabilismo político, cultural, económico e social, sobretudo porque não há massa crítica suficiente que, garanta a criação de condições de tranquilidade pública. O monstro começa a atingir proporções preocupantes. Que estratégias proporia a minha avó para o controle ou destruição do mostro em causa?



publicado por adelino às 17:56
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Quinta-feira, 12 de Maio de 2005

Os petroleiros -II

Petroleiros - II

Fonte: Jornal Público

As recentes suspeitas surgidas em torno da venda dos blocos de petróleo na zona conjunta entre São Tomé e Príncipe e a Nigéria estão a provocar uma grave crise no arquipélago: o Presidente Fradique de Menezes demitiu duas personalidades São-Tomenses com responsabilidade na atribuição dos blocos petrolíferos e assistiu-se a uma troca de acusações entre o Presidente, apoiado pelo MDFM, e o Governo e a bancada parlamentar maioritariamente do MLSTP-PSD.
O partido no poder acusou Fradique de Menezes de violar a lei das receitas do petróleo em benefício próprio, obrigando o Presidente a desmentir acusações de que seria accionista da empresa Nigeriana ERHC, supostamente beneficiada em detrimento de outras com melhores propostas, no último leilão dos blocos, há poucas semanas, em Abuja na Nigéria.
O Presidente negou qualquer irregularidade no processo, lembrando que nenhuma decisão definitiva tinha sido tomada sobre empresas seleccionadas para a celebração de contratos. No entanto, demitiu Mateus Meira Rita das funções de representante do conselho ministerial do petróleo entre São Tomé e a Nigéria, invocando a incompatibilidade de funções por este ser accionista da ERHC; e afastou Patrice Trovoada (filho do ex-Presidente Miguel Trovoada) do cargo de assessor da Presidência para os assuntos do petróleo. Fradique de Menezes atribuiu ainda responsabilidades aos signatários dos acordos em 1997 e 2001 alcançados com a Nigéria, unanimemente considerados prejudiciais para o país. A.D.C.





Os Petroleiros - II



Só faltava o petróleo para atearem o fogo ao país. Lentamente os petroleiros cumprem a sua função de invencíveis, imortais e gloriosos. Rasgam mares e vidas e a malta aplaude a façanha tinânica da espécie em causa. São autênticos tanques que, entre viagens e silêncios nocturnos, esvaziam vidas de qualquer sentido. Haja paciência para aturá-los!!!


publicado por adelino às 01:17
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2005

Namoro

NAMORO



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<p align="center"><font size="4"><font color="#FF0000">NAMORO</font></p>

<p align="center"><font size="3"><font color"#000066">Mandei-lhe uma carta em papel perfumado
e com letra bonita eu disse ela tinha
um sorrir luminoso tão quente e gaiato
como o sol de Novembro brincando
de artista nas acácias floridas
espalhando diamantes na fímbria do mar
e dando calor ao sumo das mangas.</font></p>

<p align="center"><font size="3"><font color"#000066">Sua pele macia - era sumaúma...
Sua pele macia, da cor do jambo, cheirando a rosas
sua pele macia guardava as doçuras do corpo rijo
tão rijo e tão doce - como o maboque...
Seus seios, laranjas - laranjas do Loje
seus dentes... - marfim...
Mandei-lhe essa carta
e ela disse que não.</font></p>

<p align="center"><font size="3"><font color"#000066">Mandei-lhe um cartão
que o amigo Maninho tipografou:
"Por ti sofre o meu coração"
Num canto - SIM, noutro canto - NÃO
E ela o canto do NÃO dobrou</font></p>

<p align="center"><font size="3"><font color"#000066">Mandei-lhe um recado pela Zefa do Sete
pedindo, rogando de joelhos no chão
pela Senhora do Cabo, pela Santa Ifigenia,
me desse a ventura do seu namoro...
E ela disse que não.</font></p>

<p align="center"><font size="3"><font color"#000066">Levei á Avo Chica, quimbanda de fama
a areia da marca que o seu pé deixou
para que fizesse um feitiço forte e seguro
que nela nascesse um amor como o meu...
E o feitiço falhou.</font></p>

<p align="center"><font size="3"><font color"#000066">Esperei-a de tarde, á porta da fabrica,
ofertei-lhe um colar e um anel e um broche,
paguei-lhe doces na calçada da Missão,
ficamos num banco do largo da Estátua,
afaguei-lhe as mãos...
falei-lhe de amor... e ela disse que não.</font></p>

<p align="center"><font size="3"><font color"#000066">Andei barbudo, sujo e descalço,
como um mona-ngamba.
Procuraram por mim
"-Não viu...(ai, não viu...?) não viu Benjamim?"
E perdido me deram no morro da Samba.</font></p>

<p align="center"><font size="3"><font color"#000066">Para me distrair
levaram-me ao baile do Sô Januario
mas ela lá estava num canto a rir
contando o meu caso
as moças mais lindas do Bairro Operário.</font></p>

<p align="center"><font size="3"><font color"#000066">Tocaram uma rumba - dancei com ela
e num passo maluco voamos na sala
qual uma estrela riscando o céu!
E a malta gritou: "Aí Benjamim !"
Olhei-a nos olhos - sorriu para mim
pedi-lhe um beijo - e ela disse que sim.</font></p>

<p align="center">Viriato da Cruz - Angola</p>

publicado por adelino às 00:44
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Quinta-feira, 5 de Maio de 2005

Os Petroleiros -I

Notícias do Jornal Público - 4/05/2005



As suspeitas recentes em torno do processo de atribuição dos contratos petrolíferos na zona conjunta entre São Tomé e Príncipe e a Nigéria estão a gerar preocupação no arquipélago: o ministro dos Recursos Naturais, Arlindo de Carvalho, foi convocado ao Parlamento e uma reunião do Conselho Nacional dos Petróleos foi marcada com carácter de urgência para esta semana, Este órgão – que reúne ministros e conselheiros do Presidente, além do próprio Chefe de Estado, Fradique de Menezes – deverá analisar e pronunciar-se sobre as propostas saídas da última reunião conjunta entre representantes de São Tomé e da Nigéria, na origem das “suspeitas” tornadas públicas quando a RDP África referiu a suposta desqualificação de companhias com melhores propostas em benefício de empresas com accionistas São-Tomenses (havendo também interesses Nigerianos em algumas empresas).
O MLSTP-PSD, partido do Governo, exigiu ontem que todos os São-Tomenses com interesses nas empresas a concurso sejam afastados das comissões negociais e dos cargos com influência na atribuição dos direitos petrolíferos –ministros, conselheiros, membros do Conselho Nacional de Petróleos ou da comissão ministerial conjunta entre São Tomé e a Nigéria.
O partido considera existirem “provas claras” de que o processo foi viciado e recomenda que sejam adiadas as decisões desse último leilão. O presidente da comissão parlamentar dos assuntos do petróleo, Carlos Neves, também defendeu que o processo devia ser revisto por haver representantes do Estado São-Tomense implicados nas negociações que eram ao mesmo tempo “accionistas das empresas”. O ministro dos Recursos Naturais garantiu que nenhum dos referidos contratos foi assinado, sugerindo que o processo pode ser revisto. A.D.C




Os Petroleiros -I



Não desistem de lutar. Estão sempre a lutar! Por isso, passam a vida a receber, sempre a receber, e, dispensam qualquer agradecimento. É um direito divino! É no silêncio da escuridão que acolhem os seus benefícios, sempre convencidos da ingenuidade dos mortais. Eles não morrem. Penso que nunca morrerão. Estão sempre nos lugares propícios, não dispensam o contacto certo, e, perante perigos de fugas de informação esclarecedoras das suas acções, não rejeitam exercícios de conferências de imprensas que, os transformam em palavreiros intimidatórios. Possuem uma vasta e cobiçada lista de contactos e informações, e, não hesitam em afastar do caminho todos os ruídos que podem contribuir para minar a sua credibilidade de petroleiros. São multiformes, de acordo com a plateia que assiste ao espectáculo: desde arrogantes e vaidosos no trato; passando pela humildade e reverência no gesto. Adoram o silêncio e são adeptos ferrenhos do presente. Para eles não há passado nem futuro. Só o presente lhes interessa e por isso, adoptaram o nome de petroleiros. Transportam sacos com vénias, mensagens de agradecimentos e homenagens de todas as cores, feitios e tamanhos. Estão sempre disponíveis para rasgar novos horizontes, uma vez identificada e analisada a amostra. Por isso, só o presente lhes interessa. São os Petroleiros!!


publicado por adelino às 13:39
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Terça-feira, 3 de Maio de 2005

Memórias

JOCHOUSE.jpg
Autor da foto:Jonathan Baillie



Entre as muitas estórias que a minha avó contava aos netos, desajeitadamente entricheirados numa esteira lá da casa, no pico da gravana, havia uma, que fazia referência a uma PRINCESA muito linda, que, desobedecendo o cumprimento de um ritual, decorrente de uma aposta com a esperta Tartaruga, ficou rapidamente velha e feia. A partir daquela altura, incrédula, triste e angustiada, a dita PRINCESA passou a sofrer de um desgosto terrível, cada vez que olhava para o espelho, na medida que, este não lhe podia devolver uma imagem que permitisse a sua reconciliação com um passado recente. Como não podia destruir ou modificar a sua feição, ocorreu-lhe momentaneamente destruir os espelhos. Neste caso, partindo todos os espelhos lá da casa, pôs um fim ou terminou com a sua feia imagem. Ocorre-me de quando em vez, fazer o mesmo com algumas imagens do meu actual PRÍNCIPE porque, não são compatíveis com as memórias que guardo do mesmo. Destruo a memória ou as imagens????? Como poderei destruir a memória se ela é já parte de mim, carrego-a cada vez mais pesada para todo o lado, e provavelmente, também ela já não me pertence? Destruindo as imagens, simplificarei com o gesto em causa, o sofrimento da memória? Preciso de um grande espelho para momentaneamente sossegar a alma...


publicado por adelino às 23:20
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Domingo, 1 de Maio de 2005

Dia da Mãe

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<p align="center"><font color="#000000"><font size"4">MEMÓRIAS DO PRÍNCIPE</font></p>

<p align="center"><font color="#0000FF">Mãe, tu pegavas charroco
nas águas das ribeiras
a caminho da praia.
Teus cabelos eram lembas-lembas,
agora distantes e saudosas,
mas teu rosto escuro
desce sobre mim.</p>

<p align="center"><font color="#0000FF">Teu rosto, liliácea
irrompendo entre o cacau,
perfumando com a sua sombra
o instante em que te descubro
no fundo das bocas graves.</p>

<p align="center"><font color="#0000FF">Tua mão cor-de-laranja
oscila no céu de zinco
e fixa a saudade
com uns grandes olhos taciturnos.</p>

<p align="center"><font color="#0000FF">(No sonho do Pico as mangas percorrem a órbita lenta
das orações dos ocãs e todas as feiticeiras desertam
a caminho do mal, entre a doçura das palmas).</p>

<p align="center"><font color="#0000FF">Na varanda de marapião
os veios da madeira guardam
a marca dos teus pés leves
e lentos e suaves e próximos.
E ambas nos lançamos
nas grandes flores de ébano
que crescem na água cálida
das vozes clarividentes.</p></font>

<p align="center"><font size="2"><font color="#000000">Maria Manuela Margarido - S.Tomé e Príncipe</font></p>

publicado por adelino às 20:22
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