Sexta-feira, 20 de Maio de 2005

Petroleiros Definitivos

Notícia extraída do Jornal PÚBLICO – 20.05.2005
Presidente da Nigéria em São Tomé para resolver crise do petróleo
ANA DIAS CORDEIRO

O Presidente da Nigéria, Olusegun Obasanjo, estará hoje em São Tomé e Príncipe para um encontro com o chefe de Estado, Fradique de Menezes, sobre o dossier do petróleo, confirmou ao PÚBLICO o assessor de imprensa da Presidência São-Tomense, Adelino Lucas. Segundo a imprensa Nigeriana, os dois chefes de Estado estarão juntos para formalizar a atribuição de blocos petrolíferos, resultante do último leilão, e aprovada na última reunião de ministros dos dois países em Abril, em Abuja, na Nigéria.
As propostas, relativas à zona de exploração conjunta entre os dois países, ainda não tinham sido formalizadas, devido à polémica suscitada, em São Tomé, em torno do suposto favorecimento de algumas companhias.
Os dois partidos que sustentam a coligação governamental (MLSTP – PSD e ADI) foram quem mais ênfase deu a suspeitas de que certas empresas teriam sido favorecidas em detrimento de outras com melhores propostas. Essa posição já motivou críticas do embaixador da Nigéria em São Tomé, Saidu Findar, que acusou, esta quarta-feira, o Executivo São-Tomense de bloquear o processo.
No arquipélago, a crise interna arrasta-se há mais de duas semanas e resultou em demissões de personalidades São-Tomenses de cargos com influência nas negociações do petróleo: Arlindo Carvalho abandonou a posição de ministro dos Recursos Naturais, e Fradique de Menezes (apoiado pelo MDFM-PL) demitiu-se do cargo de presidente do Conselho Nacional de Petróleo, depois de ser alvo de graves acusações de membros do partido do Governo.
Além disso, o Presidente da República exonerou Patrice Trovoada de seu conselheiro especial para os assuntos do petróleo, e Mateus Meira Rita, do cargo de representante do chefe de Estado São-Tomense no Conselho Nacional de Petróleo, mantendo-o porém como director de gabinete da Presidência. Estas duas demissões prendem-se com interesses que ambos detêm em empresas a concurso, sendo um deles, Mateus Rita, muito próximo do chefe de Estado.
Apesar de ser sócio de uma delas, a ERHC, Mateus Rita participou ainda enquanto representante do chefe de Estado São-Tomense, na reunião de Abuja que originou actual crise e na qual a ERHC foi contemplada com garantias favoráveis de exploração. Mateus Rita é também dirigente do partido do Presidente, o MDFM-PL. A empresa de que é accionista, a ERHC, é maioritariamente detida pelo influente milionário Nigeriano, Sir Emeka Offor, de quem se diz ser próximo do actual vice-presidente Nigeriano, Atiku Abubakar, e de ter tido ligações ao regime do general Sani Abacha.
Já Patrice Trovoada (filho do ex-Presidente São-Tomense Miguel Trovoada) é secretário-Geral da ADI, um dos partidos que sustenta o Governo – que se incompatibilizou com o Presidente – além de ser próximo e colega de partido do ex-ministro dos Recursos Naturais, Arlindo Carvalho. De acordo com uma informação de um perito do sector energético, a que o PÚBLICO teve acesso, Patrice Trovoada terá tentado influenciar as negociações de Abuja, a favor da Equator Exploration, empresa onde terá interesses, além de manter uma ligação com o Presidente executivo desta companhia, o empresário Canadiano, de origem Ucraniana Wade Cherwayko.
Na semana passada, o Governo do MLSTP – PSD acusou o Chefe de Estado São-Tomense de “violar a lei sobre as receitas do petróleo” e de tirar “vantagens” da ”falta de transparência” nas negociações. O MDFM-PL, em defesa do Presidente, qualificou a “atitude” do partido no poder de “eleitoralista” e “oportunista”.



Petroleiros Definitivos



São grandes e eloquentes. Têm a função específica de resolver crises, sobretudo as grandes. São grandes como as crises que resolvem. São definitivos porque são grandes, extremamente grandes, e, têm uma apetência especial pela definição das coisas, sobretudo das coisas grandes. O mundo é pequeno para a quantidade de definições que carregam, de acordo com o tamanho de todas as crises que resolvem. Não hesitam perante as dúvidas, porque são grandes e definitivos, num mar que já começa a ser pequeno para tanta definição que carregam. Eles são os petroleiros definitivos e estamos condenados a obedecê-los porque são grandes.


publicado por adelino às 23:27
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