Sábado, 9 de Julho de 2005

O Falso Arrastão

“Dez de Junho, praia de Carcavelos. Muitos jovens juntam-se ao Sol. Há tensão e insultos. Depois chegará a polícia. Às 20h, as televisões apresentam ao país “o arrastão”, um crime massivo, centenas de assaltantes negros, em pleno Dia de Portugal. O noticiário torna-se narrativa apaixonada de um país de insegurança e “gangs” terror e vigilância. A maré engole o desmentido policial da primeira versão dos incidentes e vários testemunhos sobre uma inventona.
“Era uma vez um arrastão” passa em revista um crime que nunca existiu, a atitude dos media perante uma história explosiva e as consequências políticas e sociais de uma notícia falsa. Antes que esta nova crise de pânico passe ao arquivo morto, é necessário inscrevê-la na história da manipulação de massas em Portugal.”


Extraído de www.eraumavezumarrastao.net





Agradeço de forma emotiva e profundamente sincera, à Adriana Andringa, pelo desempenho, num verdadeiro trabalho de "jornalismo cívico" que desenvolveu, ciente que, contribuirá para abrir "novas estradas" na abordagem e tratamento profissional de problemas desta e de outra natureza no país. Sempre tive uma exemplar e singular impressão desta profissional do jornalismo Português, de nome Diana Andringa. Raramente perdia um programa da jornalista em causa na "Dois". Mesmo quando o enquadramento temático não fosse motivador; a força, rigor, profissionalismo e carisma da jornalista em causa, faziam-me acreditar na excelência do programa, e, lá estava eu a "carregar no botão" envergonhadamente. Desta vez, juro que o seu trabalho ajudou-me a "descalçar" uma grande vergonha. Sou negro, e, assisti de forma impotente como estes factos foram aparente e cirurgicamente montados, divulgados e mais tarde interiorizados pela generalidade do povo Português. Também eu bebi na mesma fonte que a generalidade dos Portugueses e condenei sem piedade aqueles que praticaram os actos em causa, convencido que foram milimetricamente perpetrados por 400 Negros. A forma como a notícia foi sistematicamente reproduzida, dezenas de vezes, por órgãos de comunicação social, associada impiedosamente às imagens de negros, sem nenhum "toque" que quebrasse a unanimidade editorial ou opinativa, ajudou-me a sedimentar esta decisão. Condenei mil vezes aqueles "meus patrícios" que cometeram aquela barbaridade. Fui diplomaticamente nalguns casos, e abertamente noutros, mal-encarado na rua, nos cafés, nas lojas e provavelmente no local de trabalho, aparentemente carregando também, a culpa de ter perpetrado aqueles actos, sem sequer ter lá estado. É o preço que tive que pagar, pela forma pouco profissional, atenta e rigorosa, como alguns profissionais da comunicação social Portuguesa resolveram tratar o assunto em causa. Espero sinceramente que estes mesmos profissionais que tiveram a pressa, ligeireza e prontidão em apresentar um produto com aquela qualidade, sejam os mesmos que possam aproveitar esta bela oportunidade para redimirem deste acto, pouco profissional, sério e rigoroso. Ainda bem que existem jornalistas como Diana Andringa. Ou melhor : se não existissem jornalistas como esta Senhora o que seria do mundo???? Hoje já posso andar menos envergonhado na rua.



publicado por adelino às 18:50
link do post | comentar | favorito
|
1 comentário:
De Anónimo a 11 de Julho de 2005 às 09:44
Os nossos politicos e os seus jornalistas normalmente só se aprecebem dos problemas quando estes já não tem solução. Apenas um exemplo; a ex-Sorefame foi fechando ao longo trinta e tal anos, agora que já está fechada é que descobriram que a empresa era util ao país. mrr
</a>
(mailto:)

Comentar post